sábado, 23 de fevereiro de 2013
Folha Solta #8
A esperança é um ciclo vicioso e viciado - todos os dias ergue-nos dos escombros do sono atormentado, todas as noites enleva-nos nas lágrimas da descrença racional.
Insónia
Quando as luzes se apagam
a tua imagem cega-me o sono,
mesmo que cuspa nas mãos que me afagam,
mesmo que espezinhe o caído trono...
E o tudo perde-se na quimera
de não saber com que cores
se pintará a si próprio o futuro
receoso do que o espera
a espreitar os seus temores
desenhados no desespero impuro
de quem tudo quer
e nada tem,
mesmo se tudo estiver
ao alcance de quem
se esqueceu de quem é
na loucura de confiar na fé,
de abdicar do racional,
de aguardar por uma sorte
que nunca veio nem nunca virá,
absorto na ilusão de ser imortal,
de beber mais um café forte
quando apenas com um tépido chá
engana os sentidos na decadência amoral.
Adormeço-me na insónia
de quem perdeu a memória
de ser feliz
e do tempo em que o quis,
caminha por entre rostos sem história,
prédios aflitivos pela banalidade,
sem rumo para lá da inglória
marcha forçada nos destroços sem idade
que relembram a ternura das mãos geladas
fugitivas na neblina do anteontem,
reclusa das palavras transtornadas,
afastam-se na incógnita saudade,
talvez um dia me contem
o porquê da descrença na verdade.
Entretido nas horas sem minutos,
na crueldade de se rever
no vácuo de prédios devolutos,
roídos mas incapazes de esquecer,
eis que o esplendor duma beleza terrível
ergue-se sobre a fria e triste manhã,
aquece a alma empedernida, insensível,
antes de arrefecer de vez na noite vã.
a tua imagem cega-me o sono,
mesmo que cuspa nas mãos que me afagam,
mesmo que espezinhe o caído trono...
E o tudo perde-se na quimera
de não saber com que cores
se pintará a si próprio o futuro
receoso do que o espera
a espreitar os seus temores
desenhados no desespero impuro
de quem tudo quer
e nada tem,
mesmo se tudo estiver
ao alcance de quem
se esqueceu de quem é
na loucura de confiar na fé,
de abdicar do racional,
de aguardar por uma sorte
que nunca veio nem nunca virá,
absorto na ilusão de ser imortal,
de beber mais um café forte
quando apenas com um tépido chá
engana os sentidos na decadência amoral.
Adormeço-me na insónia
de quem perdeu a memória
de ser feliz
e do tempo em que o quis,
caminha por entre rostos sem história,
prédios aflitivos pela banalidade,
sem rumo para lá da inglória
marcha forçada nos destroços sem idade
que relembram a ternura das mãos geladas
fugitivas na neblina do anteontem,
reclusa das palavras transtornadas,
afastam-se na incógnita saudade,
talvez um dia me contem
o porquê da descrença na verdade.
Entretido nas horas sem minutos,
na crueldade de se rever
no vácuo de prédios devolutos,
roídos mas incapazes de esquecer,
eis que o esplendor duma beleza terrível
ergue-se sobre a fria e triste manhã,
aquece a alma empedernida, insensível,
antes de arrefecer de vez na noite vã.
Assinar:
Comentários (Atom)