quarta-feira, 15 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Crise existencial documentada #13 (ou "Cartas do meu quarto")
Precipito o meu olhar
nas profundezas do que é teu,
cristal dum revolto mar
onde tudo o que sei desapareceu...
E nesse vácuo sem retorno
aqueço o meu espírito morto
nas brasas dum fogo morno,
entorpecido pelo sorriso torto
com que me presenteias no nada
em que mergulho sem hesitação,
apesar de te ver odiada
pelo delírio da antecipação,
agora meramente deturpada,
sem perspectiva, sem conclusão,
apenas mais uma folha rasgada
dos calhamaços da minha ilusão.
Aqui deitado revejo a franja,
com olhos que não são meus,
da revolução que desarranja
as vísceras encerradas em breus
impenetráveis num negrume
que me confunde os sentidos,
lancinados pelo teu perfume
prenúncio dos dias sofridos
em que a penitência se ajoelha
perante a catástrofe de te ter
ao alcance dos meus vícios velhos,
duma trovoada reduzida a centelha,
e de ainda assim te ver desvanecer
nos redemoinhos de água vermelhos
da névoa duma madrugada amarga,
na qual tudo se começa a parecer
com a horrenda e tenaz carga
que pousa sobre os meus ombros,
com o peso do infinito sofrimento
de ver o meu corpo em escombros,
de te ver fugir num momento.
O teu trejeito singular
assombra agora o meu sono
perante a impotência de respirar
o oxigénio poluído que entrono
como o ponto alto da existência,
enterrada, que descanse em paz...
Aconteceu... Paciência,
num verde monte já ela jaz,
impérvia à banalidade
de me preocupar com a saudade.
No espelho reflecte-se tanta dor,
tanta em alguém tão novo,
mas que já vive num mundo incolor
imbuído pelo cinzento que louvo
por entre traços a branco e preto,
sensual remake do anos 20,
onde me sinto vasilhame obsoleto,
invólucro vazio e desalmado,
contraste violento com o requinte,
paradoxo hipoteticamente errado,
sem qualquer hipótese de melhorar
e que no meu leito se vem aconchegar.
Recosto-me novamente na cama
e penetro na noctívaga tristeza,
fecho os ouvidos à voz que chama,
estou a cair contra uma mesa,
pronta para que a alma seja dissecada
até ao mais ínfimo defeito
se revelar para teu proveito,
para alimentar a charada
com a qual o ego se diverte,
até que a verdade se inverte
e a noite dá lugar à alvorada.
A última coisa que recordo
é uma visão adulterada
do teu perfil nas lâmpadas a morrer...
Ainda agora, quando acordo,
na penumbra duma manhã pesada,
boca seca pela ânsia de beber,
vejo-o com insuspeita acuidade,
coberto pela sombra dum corvo
a pairar em ventos de irrealidade,
nas lufadas de ar fresco que sorvo.
Não passa duma ilusão de óptica,
tenho perfeita noção da imagem idiótica.
Coração podre aos dezanove,
chã amostra da irracionalidade
de tecer uma história que não comove
uma única pessoa, que invade
brutalmente as tentativas de parar
e desperdiçar 2 segundos a raciocinar.
nas profundezas do que é teu,
cristal dum revolto mar
onde tudo o que sei desapareceu...
E nesse vácuo sem retorno
aqueço o meu espírito morto
nas brasas dum fogo morno,
entorpecido pelo sorriso torto
com que me presenteias no nada
em que mergulho sem hesitação,
apesar de te ver odiada
pelo delírio da antecipação,
agora meramente deturpada,
sem perspectiva, sem conclusão,
apenas mais uma folha rasgada
dos calhamaços da minha ilusão.
Aqui deitado revejo a franja,
com olhos que não são meus,
da revolução que desarranja
as vísceras encerradas em breus
impenetráveis num negrume
que me confunde os sentidos,
lancinados pelo teu perfume
prenúncio dos dias sofridos
em que a penitência se ajoelha
perante a catástrofe de te ter
ao alcance dos meus vícios velhos,
duma trovoada reduzida a centelha,
e de ainda assim te ver desvanecer
nos redemoinhos de água vermelhos
da névoa duma madrugada amarga,
na qual tudo se começa a parecer
com a horrenda e tenaz carga
que pousa sobre os meus ombros,
com o peso do infinito sofrimento
de ver o meu corpo em escombros,
de te ver fugir num momento.
O teu trejeito singular
assombra agora o meu sono
perante a impotência de respirar
o oxigénio poluído que entrono
como o ponto alto da existência,
enterrada, que descanse em paz...
Aconteceu... Paciência,
num verde monte já ela jaz,
impérvia à banalidade
de me preocupar com a saudade.
No espelho reflecte-se tanta dor,
tanta em alguém tão novo,
mas que já vive num mundo incolor
imbuído pelo cinzento que louvo
por entre traços a branco e preto,
sensual remake do anos 20,
onde me sinto vasilhame obsoleto,
invólucro vazio e desalmado,
contraste violento com o requinte,
paradoxo hipoteticamente errado,
sem qualquer hipótese de melhorar
e que no meu leito se vem aconchegar.
Recosto-me novamente na cama
e penetro na noctívaga tristeza,
fecho os ouvidos à voz que chama,
estou a cair contra uma mesa,
pronta para que a alma seja dissecada
até ao mais ínfimo defeito
se revelar para teu proveito,
para alimentar a charada
com a qual o ego se diverte,
até que a verdade se inverte
e a noite dá lugar à alvorada.
A última coisa que recordo
é uma visão adulterada
do teu perfil nas lâmpadas a morrer...
Ainda agora, quando acordo,
na penumbra duma manhã pesada,
boca seca pela ânsia de beber,
vejo-o com insuspeita acuidade,
coberto pela sombra dum corvo
a pairar em ventos de irrealidade,
nas lufadas de ar fresco que sorvo.
Não passa duma ilusão de óptica,
tenho perfeita noção da imagem idiótica.
Coração podre aos dezanove,
chã amostra da irracionalidade
de tecer uma história que não comove
uma única pessoa, que invade
brutalmente as tentativas de parar
e desperdiçar 2 segundos a raciocinar.
[E tudo isto por um buraco nas meias,
faísca do fogo que me arde nas veias.]
faísca do fogo que me arde nas veias.]
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
"Soneto" da Quimera
No sufoco arquejante do calor,
quando as esperanças perecem
e os pensamentos desaparecem,
sinto-me paralisado pela dor.
Pela dor de não agir, de sucumbir
ao teu longínquo olhar ambíguo
que me enclausura num local exíguo,
cruel restrição à capacidade de sentir.
Tudo deixa de fazer sentido,
para o nada sou arrastado
guiado pelo desejo desentendido...
Despeço-me dum fantasma descarnado,
agarro-me ao que nos teus olhos é lido
pela loucura de subir o monte empedrado.
quando as esperanças perecem
e os pensamentos desaparecem,
sinto-me paralisado pela dor.
Pela dor de não agir, de sucumbir
ao teu longínquo olhar ambíguo
que me enclausura num local exíguo,
cruel restrição à capacidade de sentir.
Tudo deixa de fazer sentido,
para o nada sou arrastado
guiado pelo desejo desentendido...
Despeço-me dum fantasma descarnado,
agarro-me ao que nos teus olhos é lido
pela loucura de subir o monte empedrado.
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