É embriagante a poesia
duma flor a desabrochar
numa explosão molecular
que dissipa a noite fria.
Enquanto um Inverno desesperado
se dissocia em mil novas reacções,
cai sob o peso das convulsões
da renovação pura dum mero prado.
Porém a inevitabilidade
do mundo voltar a adormecer
remete-me para a incapacidade...
Incapacidade de compreender
um só átomo da tua superioridade -
que me afunda na patologia emocional do sofrer.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Divagação num passado presente
Um subtil entorpecimento
que tolda a visão,
mesclada de aborrecimento
e de mágoa no coração,
embala-me nos braços
duma melodia entediante,
revelando estímulos escassos
para uma mera mente errante,
que viaja para lá das paredes,
dos incontáveis nódulos de madeira
que me enclausuram em mil redes:
mesmo que o corpo não o queira,
mesmo que se forme um grito no peito,
se sobressaltem todos os nervos do ser
numa ânsia que não aceito,
imerso na impossibilidade de poder.
Porque continuo a tentar?
Porque insisto na teimosia?
A insignificância não me deixa desesperar,
logo persisto num fútil alegria
oca de significado,
ígnara fachada
dum triste passado,
duma alma aprisionada...
Levanto-me. Caio...
Mas rio-me da vida,
não é a primeira porta por onde saio
que simplesmente já não tem saída -
o hábito de discernir
que a vida é uma reles p***
que teima em nos seduzir
e que depois nos refuta,
quando nos deixa sem nada,
sem felicidade, sem esperança,
apenas com a mera lembrança
da sorte que nos foi arrancada.
que tolda a visão,
mesclada de aborrecimento
e de mágoa no coração,
embala-me nos braços
duma melodia entediante,
revelando estímulos escassos
para uma mera mente errante,
que viaja para lá das paredes,
dos incontáveis nódulos de madeira
que me enclausuram em mil redes:
mesmo que o corpo não o queira,
mesmo que se forme um grito no peito,
se sobressaltem todos os nervos do ser
numa ânsia que não aceito,
imerso na impossibilidade de poder.
Porque continuo a tentar?
Porque insisto na teimosia?
A insignificância não me deixa desesperar,
logo persisto num fútil alegria
oca de significado,
ígnara fachada
dum triste passado,
duma alma aprisionada...
Levanto-me. Caio...
Mas rio-me da vida,
não é a primeira porta por onde saio
que simplesmente já não tem saída -
o hábito de discernir
que a vida é uma reles p***
que teima em nos seduzir
e que depois nos refuta,
quando nos deixa sem nada,
sem felicidade, sem esperança,
apenas com a mera lembrança
da sorte que nos foi arrancada.
"Soneto" do Despertar
O frio matinal, gélido, brutal
fustiga um rosto mal acordado,
um olhar caído, desanimado,
morto pelo sono frugal.
Os passos guiam-me na inconsciência
de apenas seguir em frente,
mesmo esperando a insónia demente
que me conduz para uma eterna falência.
Pouco tenho para me agarrar,
a névoa envolve-me sem escapatória,
entra-me no peito um vicioso ar
E escondo-me nos becos duma história
onde descubro a minha teimosia em errar,
em guardar a doçura da tua memória.
fustiga um rosto mal acordado,
um olhar caído, desanimado,
morto pelo sono frugal.
Os passos guiam-me na inconsciência
de apenas seguir em frente,
mesmo esperando a insónia demente
que me conduz para uma eterna falência.
Pouco tenho para me agarrar,
a névoa envolve-me sem escapatória,
entra-me no peito um vicioso ar
E escondo-me nos becos duma história
onde descubro a minha teimosia em errar,
em guardar a doçura da tua memória.
"Soneto" da Procura
Suave claridade do luar
reflectido nas curvas do teu perfil,
premonição de desgostos mil,
sinal de naufrágio em revolto mar.
Teimo em subir para mergulhar
nas alturas de becos e esquinas,
ruelas onde te peço que definas
um rumo para eu tomar.
Deixo o olhar ébrio correr
cada alma prostrada
pelo fumo que vejo tudo desvanecer...
A toldar a lenta noite desesperada
em que persisto na luta de te ver
antes de cair na nuvem do nada.
reflectido nas curvas do teu perfil,
premonição de desgostos mil,
sinal de naufrágio em revolto mar.
Teimo em subir para mergulhar
nas alturas de becos e esquinas,
ruelas onde te peço que definas
um rumo para eu tomar.
Deixo o olhar ébrio correr
cada alma prostrada
pelo fumo que vejo tudo desvanecer...
A toldar a lenta noite desesperada
em que persisto na luta de te ver
antes de cair na nuvem do nada.
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