quinta-feira, 8 de abril de 2010

Divagação num passado presente

Um subtil entorpecimento
que tolda a visão,
mesclada de aborrecimento
e de mágoa no coração,
embala-me nos braços
duma melodia entediante,
revelando estímulos escassos
para uma mera mente errante,
que viaja para lá das paredes,
dos incontáveis nódulos de madeira
que me enclausuram em mil redes:
mesmo que o corpo não o queira,
mesmo que se forme um grito no peito,
se sobressaltem todos os nervos do ser
numa ânsia que não aceito,
imerso na impossibilidade de poder.
Porque continuo a tentar?
Porque insisto na teimosia?
A insignificância não me deixa desesperar,
logo persisto num fútil alegria
oca de significado,
ígnara fachada
dum triste passado,
duma alma aprisionada...

Levanto-me. Caio...
Mas rio-me da vida,
não é a primeira porta por onde saio
que simplesmente já não tem saída -
o hábito de discernir
que a vida é uma reles p***
que teima em nos seduzir
e que depois nos refuta,
quando nos deixa sem nada,
sem felicidade, sem esperança,
apenas com a mera lembrança
da sorte que nos foi arrancada.

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