Este mar
que se afunda nele mesmo
sem uma palavra
sem um sopro de ar
olhas para o nada e vês-mo
escrito na dor que em mim lavra
nos acordes da guitarra
na raiva da bateria
barco sem amarra
a vogar na histeria
de menear sonhos mil
neste mar
revolto e turbulento,
deserto seco e pueril,
não o sei já navegar
perdi-me no tormento
deste mar
onde olho para o infinito,
para o horizonte a fugir,
para a jazida de granito
na qual a água vai cair.
Este mar
Sem uma palavra.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Febre
No Minho o mar é diferente.
Para além do nada, oiço.
Oiço os queixumes das gaivotas desterradas.
Oiço-me a mim a gritar-lhes de volta. Oiço.
Acima de tudo, oiço. Perdido na dor
de ver o sol a precipitar-se no horizonte
numa catástrofe pronunciada de laranja e vermelho.
Vermelho. Da cor do sangue que me corrói.
Decomposto coração, a este mar não volta,
partiu à vela para infinitos fins
que se consomem a si mesmos,
em si mesmos...
Como o sorriso que um dia me distorceu a face.
Oiço. Ouve. O rumorejar das ondas,
o pranto cantado da brisa salgada
pelas lágrimas que secaram no rosto
que se havia esquecido de sorrir.
Parto. Para longe de mim.
Para longe do nada.
Há um oceano entre o que sinto
e o que vejo espelhado nos olhos.
Ouve. Oiço. O último grito
da gaivota desesperada pelo porto
que lhe serviria de abrigo
para repousar...
Oiço a liberdade.
Um bater de asas.
Oiço-me. Ouve-te. Trespassados pelo ocaso
da promessa de não pensar em nada.
Oprimidos pelo nós. Pelo Eu.
As ondas do mar não mentem, nem o sabem fazer,
ouve-me agora, na imortalização do instante
onde demos as mãos
e elas aprenderam-se uma à outra,
onde nos olhámos
e nos descobrimos um ao outro.
Cru. Reles. Vil. Chão.
A parca lírica murmurada
que sai escorreita no papel
não faz jus ao sonho
partilhado no segredo dum vão de escada,
no calor dos lençóis amarrotados.
É a única que se derrama
da ponta da febril caneta
cujo som corta o anoitecer. Oiço.
Nunca estive tão ciente do escutar
como quando sinto os passo do destino
a aproximarem-se. Ouve. O que traz ele
ninguém sabe. Sorri-lhe. Não faz mal sorrir
um ensaiado sorriso nas nuvens
caiadas pela tua graça
imbuída na minha desgraça.
Para além do nada, oiço.
Oiço os queixumes das gaivotas desterradas.
Oiço-me a mim a gritar-lhes de volta. Oiço.
Acima de tudo, oiço. Perdido na dor
de ver o sol a precipitar-se no horizonte
numa catástrofe pronunciada de laranja e vermelho.
Vermelho. Da cor do sangue que me corrói.
Decomposto coração, a este mar não volta,
partiu à vela para infinitos fins
que se consomem a si mesmos,
em si mesmos...
Como o sorriso que um dia me distorceu a face.
Oiço. Ouve. O rumorejar das ondas,
o pranto cantado da brisa salgada
pelas lágrimas que secaram no rosto
que se havia esquecido de sorrir.
Parto. Para longe de mim.
Para longe do nada.
Há um oceano entre o que sinto
e o que vejo espelhado nos olhos.
Ouve. Oiço. O último grito
da gaivota desesperada pelo porto
que lhe serviria de abrigo
para repousar...
Oiço a liberdade.
Um bater de asas.
Oiço-me. Ouve-te. Trespassados pelo ocaso
da promessa de não pensar em nada.
Oprimidos pelo nós. Pelo Eu.
As ondas do mar não mentem, nem o sabem fazer,
ouve-me agora, na imortalização do instante
onde demos as mãos
e elas aprenderam-se uma à outra,
onde nos olhámos
e nos descobrimos um ao outro.
Cru. Reles. Vil. Chão.
A parca lírica murmurada
que sai escorreita no papel
não faz jus ao sonho
partilhado no segredo dum vão de escada,
no calor dos lençóis amarrotados.
É a única que se derrama
da ponta da febril caneta
cujo som corta o anoitecer. Oiço.
Nunca estive tão ciente do escutar
como quando sinto os passo do destino
a aproximarem-se. Ouve. O que traz ele
ninguém sabe. Sorri-lhe. Não faz mal sorrir
um ensaiado sorriso nas nuvens
caiadas pela tua graça
imbuída na minha desgraça.
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