na febre da melancolia,
não, não, não, não, não
mais vale estar de boca fechada
isto um dia não é dia
sem sentir mais um pouco do coração
a apodrecer no vácuo da emoção..
Um falso feliz, e acenar
na artificialidade ensaiada
duma maquilhada varina
alheia na rapidez de condenar,
esquecida da disfarçada
vontade de se dar à ruína
de ser mais uma sombra fútil,
reles desculpa de pessoa,
segura na insegurança
de dar ao mundo um inútil
beijo no ar, aceno que voa
com a indiferença duma dança
que não é mais do que esmola,
ódio sob uma base de doçura,
rímel decalcado da sola
do salto do sapato que perfura
e rasga a máscara caída
nos labirintos riscados a baton
que formam a mentira
duma inocência corrompida -
ouve-se já ao fundo o som
da esperança que entretanto partira
do próprio funeral anunciado,
afinal não é de bem nem apropriado
assistir ao próprio adeus,
abandonar o desgosto ao enterro,
carpi-lo teatralmente junto dos seus
e reencontrá-lo num remissivo erro...
Não há suspiros meus
que te alcancem para lá do verniz
imaculado na perfeição enervante,
sei-o a estalar sob o peso leviano
das amarras que para mim quis,
nem para lá do asco do semblante
dourado por um brilho desumano,
não há desencanto que não me acosse
nos ermos intrincados do pesadelo
onde me encurrala o plástico gloss,
me sufoca uma livre madeixa de cabelo.
Não, os suspiros não vão para lá do mar,
maré empenhada em me arrastar,
ondas de tonalidades cromáticas
que insisto em pintar de branco e preto
farto das reacções idiossincráticas,
mais vale pagar pelo crime que cometo
e rir-me no rosto da desgraça.
O que é que isso interessa?
Já não há um sonho que resista,
não há pureza que não se mostre devassa,
a inevitável ruína nela própria tropeça,
porque não esperá-la com um abraço pessimista?
Entretêm-me estes subterfúgios
ao morrer mais um minuto na tua memória
que me persegue até aos subúrbios
do meu pensamento, apagado na glória
de ter perdido a conta aos distúrbios
subsequentes à perdida revolução
de tentar remendar os buracos na minha razão,
desenho-te uma pétala de rosa
em descoordenados traços
para te mostrar o quão penosa
é a despedida no eco dos teus passos…
maré empenhada em me arrastar,
ondas de tonalidades cromáticas
que insisto em pintar de branco e preto
farto das reacções idiossincráticas,
mais vale pagar pelo crime que cometo
e rir-me no rosto da desgraça.
O que é que isso interessa?
Já não há um sonho que resista,
não há pureza que não se mostre devassa,
a inevitável ruína nela própria tropeça,
porque não esperá-la com um abraço pessimista?
Entretêm-me estes subterfúgios
ao morrer mais um minuto na tua memória
que me persegue até aos subúrbios
do meu pensamento, apagado na glória
de ter perdido a conta aos distúrbios
subsequentes à perdida revolução
de tentar remendar os buracos na minha razão,
desenho-te uma pétala de rosa
em descoordenados traços
para te mostrar o quão penosa
é a despedida no eco dos teus passos…