No sufoco arquejante do calor,
quando as esperanças perecem
e os pensamentos desaparecem,
sinto-me paralisado pela dor.
Pela dor de não agir, de sucumbir
ao teu longínquo olhar ambíguo
que me enclausura num local exíguo,
cruel restrição à capacidade de sentir.
Tudo deixa de fazer sentido,
para o nada sou arrastado
guiado pelo desejo desentendido...
Despeço-me dum fantasma descarnado,
agarro-me ao que nos teus olhos é lido
pela loucura de subir o monte empedrado.
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