A banda sonora duma vida
ressoa constantemente nos meus ouvidos,
reflecte-se nas águas da raiva contida
onde vejo os teus murmúrios perdidos.
Sou uma mera folha de papel,
a vogar ao sabor das marés,
aguardando pelo vento cruel...
Imerso nos devaneios hiperactivos,
provocados por infinitos cafés
engolidos num só trago
apenas p'ra manter os sentidos vivos,
apenas p'ra não me afogar no lago
sem fundo que criei na loucura
de me agarrar à miragem
formada pelo fumo que se enovela
diante do teu olhar de censura,
pronto para me levar numa viagem...
Um fumo que projecto na cancela
que fecha a solitária e triste
metaforização do ser
que a cada instante persiste
na mui nobre missão
de espezinhar e enterrar
os restos da parca razão
que ainda flutuam no meu mar.
Sinto o amargo travo
do próximo beijo
algures entre o desejo
e a mágoa com que lavo
as lágrimas caídas na dor
de longos anos de oco rancor,
nos quais sonhei contigo,
sem conhecer o rosto que persigo,
o ideal que talvez nunca alcance
pois talvez já não exista romance.
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