sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tantas vezes

Todas as vezes que sorris,
Que iluminas o mundo,
Tornando-o um pouco mais feliz,
Nem que seja por um segundo

Todas as vezes que rasgas a escuridão
Duma noite infindável
Apenas com o toque da tua mão
Numa ternura insuportável.

Todas as vezes que mostras o caminho
Com o brilho do teu olhar
Com um clarão que me deixa sozinho,
Sem forças para andar.

Todas as vezes que te ouço acariciar,
Com o simples tom da tua voz
A incapacidade crónica de respirar,
De me desembaraçar destes nós.

Todas as vezes que te vejo desinteressada,
Com aquela leveza na alma
De quem não pode ser tocada
De quem nunca perde a calma

Todas as vezes,
Aquela vez...
Merda, caí outra vez
na reles estupidez...
Será que a vês?
Pois, mais ninguém o fez...
Aquela vez...
Todas as vezes…
E todas, sem excepção,
Deixam no coração
Uma marca inapagável,
Um fardo incomportável,
Uma vã memória,
Uma triste história,
Sem um final feliz previsível,
Apenas o fantasma invisível
Do sonho acordado
De reescrever o passado,
De o reviver no presente
Apenas para satisfazer
O desejo dormente
De me libertar
Da tendência para sofrer
E de arrancar
Do meu espírito ferido
A fútil melancolia…

… do que já devia ter sido esquecido
Daquilo de que tento fugir
Somente para, numa triste ironia,
Num novo abismo cair.

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