terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Necessidade

Hoje caí no buraco do desespero.

Ontem fui morto vivo
anónimo rosto entre anónimos,
prisão sem paredes onde fui cativo
cativado pela anestesia robótica
de me anestesiar do que me torna humano.
Existência fibrótica,
lodo profano,
desorganizada negação do caos
que mata sem se sentir,
que mata pela omissão,
pela ausência do ir.
Afogo-me na estagnação.
Sinto o banal a penetrar os pulmões...

Preciso de ar.

Preciso de respirar.

Revolta, reinvenção, reiniciar.

Preciso de novo.
Recuso o fim para o qual me movo,
prefiro ver o desespero de existir
a ser vegetal preso à definição
alucinada duma realidade objectiva.
Antes desistir.
Antes deitar-me no chão.
Antes entregar-me à tendência auto-destrutiva
de quem apenas quer sentir.

Hoje acordei
e caí no buraco do desespero.
De olhos abertos.

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