segunda-feira, 28 de junho de 2010

Desabafo sem sentido

A noite cai lentamente como um lençol de negrume, lançado sobre o mundo apenas para cobrir, esconder o desespero que enruga mil rostos sem nome, sem rumo, sem história...
Recosto-me no cadeirão da minha indiferença, olhando angustiado o enterro de mais um dia banal, sublinhado pelo fogo-de-artifício rubro e flamejante que me enleva nos braços dos uivos do vento para longe daqui, para longe de tudo, para lá da realidade, onde relembro cada instante, cada momento - onde sinto a doçura dos suspiros perdidos, a beleza dos olhares suspensos, a memória das notas comuns pertencente a músicas intemporais partilhadas no desconhecimento mútuo.
O mundo prossegue a sua marcha lenta, numa fuga para frente infindável, na tentativa de fugir de um passado ao qual me agarro teimosamente, na vã esperança de reviver oportunidades falhadas... É triste quando tudo o que temos na nossa mente são as meras reminiscências do que já teve significado no nosso íntimo, mas que para os outros não são mais do que vírgulas sem particular relevância.
Abro os olhos para a realidade do meu quarto, surrealmente normal, apercebendo-me do tempo desperdiçado em divagações fúteis, em esperanças destinadas ao desespero... O vento atira-se contra a janela insistentemente, o relógio prossegue o seu compasso imperecível, o silêncio ensurdece-me, a alma foge do meu controlo, o coração bate desenfreadamente numa taquicardia crescente, o medo do amanhã que chegará gela-me, paralisa-me num pânico sem precedentes - mas quem sabe o que ele reserva... Talvez a felicidade, talvez o abismo... Talvez...

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