sexta-feira, 12 de março de 2010

Abstracção de tudo

Tudo o que oiço em mim
é o bater do coração
num ritmo próximo do fim
anunciado pela negação.

Tudo o que sinto
é o sufoco do meu peito,
a dor sobre a qual minto
num sonho analgésico sem efeito.

Tudo o que vejo
é o teu olhar
contido num desejo
que nunca vou alcançar.

Tudo me faz lembrar de ti.
O mundo une-se p'ra me prender
numa cela da qual já fugi
mas que não consigo esquecer.

Em todos os rostos te procuro
numa vã busca por conforto
enquanto nas minhas mãos seguro
o meu espírito morto.

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