Tudo o que oiço em mim
é o bater do coração
num ritmo próximo do fim
anunciado pela negação.
Tudo o que sinto
é o sufoco do meu peito,
a dor sobre a qual minto
num sonho analgésico sem efeito.
Tudo o que vejo
é o teu olhar
contido num desejo
que nunca vou alcançar.
Tudo me faz lembrar de ti.
O mundo une-se p'ra me prender
numa cela da qual já fugi
mas que não consigo esquecer.
Em todos os rostos te procuro
numa vã busca por conforto
enquanto nas minhas mãos seguro
o meu espírito morto.
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