sexta-feira, 12 de março de 2010

"Soneto" da Memória

Deixo a louca visão divagar
nas asas duma lenta nuvem,
dum vagar de quem não tem
ninguém para a governar.

Olho e não vejo
a linha do horizonte que se esfuma
no caos ordenado de mais uma
manhã que me sufoca de desejo.

E sinto erguer-se no ar
o fantasma cinzento morto
da memória que me vem atormentar.

E recebo-o com um sorriso torto,
reflexo da ousadia de desprezar
cego pela imaginação em que fico absorto.

2 comentários:

  1. Em termos de rimas tens o conjunto correcto, mas tenta seguir os "padrões" decassilábicos.. Vais ver que fica porreiro e é um bom exercício pa cabecinha...

    Abraço !

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  2. Ta bem, ta bem lol
    vou tentar, se bem que nunca tenha gostado muito de me restringir a uma métrica rígida... enfim, manias de quem gosta de um estilo mais cru...
    E claro, o termo "soneto", tanto teste como noutros, é para ser levado com leveza, pois apenas as estrofes e o esquema rimático estão correctos, o número de sílabas não é, nem pouco mais ou menos,"camoniano"

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