Abandona-me à solidão
dos recantos do meu ser
enegrecidos pela negação do viver
que se espalha pelo chão
estendido diante dos passos
que dou na madrugada fria
sentado diante dos maços,
marcas da fuga duma alegria
perdida no eterno jogo
criado por ti para me queimar
nas chamas dum fogo
que me impede de escapar
ao emaranhado emocional
da complexidade do nada
em que imagino o surreal
desta história já dilacerada.
Mas apareço perante ti,
na doçura do sofrimento
partilhado com o mundo que ri,
enquanto me sento
vergado pelo teu olhar
que me deixa a alma nua,
que me tira todo o ar,
que me confronta com a crua
dor da gélida realidade,
encarada com a louca euforia
de pensar poder inventar
a minha própria verdade -
de poder apagar
a triste memória
dos erros duma inconsciente idade.
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